sábado, 31 de outubro de 2015

Um clarão de luz


A memória colonial ostenta uma explicação com relação à origem do nome de Estrela. A municipalidade, de 1876-1983, foi município mãe de Teutônia e Westfália, quando era muito conhecida pelo espírito de trabalho e índices de alfabetização. Inúmeros teutonienses, com relação a naturalidade, nasceram nesta próspera comunidade, quando, no período escolar e seio familiar, escutavam o relato.
Os europeus, na sua empreitada de europeizar o continente americano e extrair riquezas, foram incursionando interior adentro. Estes, de maneira geral, valiam-se dos nativos catequizados ou civilizados com razão de orientá-los nos campos e florestas. Os rios eram os caminhos naturais, que levavam e traziam os desbravadores e caçadores (de índios e metais).
A tradição oral narra-nos que um punhado de europeus, num belo dia, lançou-se aos rios da bacia do Jacuí. Estes, por dias ou semanas, defrontaram-se com os rigores das chuvas de inverno, quando a carência de sol e excesso de umidade importunava as pacatas almas. Estes pioneiros, na subida do curso do Taquari, defrontaram-se com céu nublado, quando um barqueiro, numa altura próxima a atual localização de Estrela – margem direita, visualizou um clarão de luz. Este, no instinto de alegria e satisfação, teria gritado: “– Olha lá! Uma Estrela.” Os companheiros advieram para presenciar o fato, quando decorreu a denominação. A curiosidade persiste do feixe de luz ter sido o reflexo do espelho da água do Taquari, ou mesmo, ser um astro de luz própria.
O município, com o aluxo posterior dos imigrantes, tornou-se um orgulho de progresso e trabalho, quando tornou-se referência de colonização em terras americanas. Possui uma denominação sui generis, quando comparado aos nomes de origem indígena ou religiosa; uma luz que irá brilhar por muitos séculos para muitas gerações.

Guido Lang
Jornal O Eco do Tirol, p. 03
17 de setembro de 2005

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

A domesticação dos animais nas colônias teuto-brasileiras


Um acontecimento colonial, praticamente desconhecido pelas novas gerações, liga-se a disparada de animais e o trabalho de manejo dos bichos, que sucedia-se no interior da propriedade colonial. A disparada ocorria esporadicamente com a domesticação de bichos xucros, que eram treinados nos encargos da canga e tração física. As corridas poderiam advir de sustos ou temores, que originavam-se da cachorrada, insetos, visitas... Os animais, diante do imprevisto, poderiam correr com carretas e carroças entre pedras e peraus, quando causavam danos materiais e acidentes de percurso. Alguns bichos disparados poderiam incorrer na frequência do ato, quando, de certa forma, “viam-se estragados”.
Os condutores, muitas vezes com a família, incorriam em perigos, quando todo cuidado era pouco. Procurava-se desvencilhar os animais, cuidar dos imprevistos, conduzi-los de frente... A tradição, como na Boa Vista Fundos/Teutônia/RS - Brasil, registra acidentes fatais com carroças, quando os moradores Reinaldo Strate e Raimundo Bayer tiveram desfechos trágicos.
Cavalos e mulas, de montaria ou tração, poderiam correr, quando cavaleiros poderiam ficar presos nos estribos. Algumas charretes, condução dos mais afortunados e sofisticados colonos, poderiam conhecer velocidade diante de bicho novo na condução. A recomendação, aos filhos, era abrir caminho livre diante da corrida de animais, que porventura disparavam pelas esburacadas e estritas estradas gerais das localidades. Algum morador, conhecedor do manejo dos animais, auxiliava na tarefa de pará-los, quando, com facão ou madeira em punho, fazia-os acalmar-se. Uma voz, em forma de chamado, dizia “oh! oh! oh!”, que costumeiramente parecia compreendido pelos irracionais. Uma artimanha, aos animais violentos, era exagerar no peso da tração, no que não dava para correr muito.
O manejo mantinha-se um passatempo nas colônias, quando pais e rebentos, no ínterim da labuta da lavoura, tratavam de domesticar os bichos desde tenra idade. Alguns marchantes treinavam-os com vistas de negociá-los, pois animal domado possui um preço maior no comércio. Os animais do campo, sobretudo da raça dos zebus, eram os mais temidos, pois eram imprevisíveis e nunca totalmente domesticados. Negócios de animais era rotina colonial e acentuavam-se na época do plantio. Os bois, cavalos e mulas prestavam uma serventia ímpar nas colônias, quando arrastavam materiais, montarias levavam condutores, veículos conduziam gente e mercadoria.
O sucesso agrícola e material, em boa dose, advinha da qualidade dos bichos existentes na propriedade, quando a força animal e braçal era a energia do trabalho. O advento dos veículos automotores veio sepultar a epopeia rural, quando animais e humanos faziam uma simbiose produtiva comum nas propriedades minifundiárias.

Guido Lang
Jornal O Eco do Tirol, p. 03, edição 45
29 de outubro de 2005

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O Vale das Lágrimas


Os ancestrais, com a carência de recursos médicos e “perdidos na floresta subtropical”, conheceram dias ásperos e cruéis nas colônias teutonienses (localizadas no Estado do Rio Grande do Sul). A morte, através da diversidade de acidentes e moléstias, mantinha “um flagelo e sonho dantesco” nas famílias dos pioneiros. Pouquíssimos clãs safavam-se dos infortúnios, que diariamente “rondavam a lei da sobrevivência”. Os cemitérios, sobretudo na ala juvenil, são testemunho de uma época, quando encontra-se sobrenomes de todas os clãs.
A cólera, febre amarela, gripe espanhola, peste bubônica, pneumonia, tifo, varíola, como exemplos comuns, foram temidas epidemias, que alastravam-se nos cantos e recantos das picadas (linhas). Estas, como “flagelo demoníaco”, ceifavam valiosas vidas, quando desconhecia-se a ação dos microorganismos. Os micróbios atacavam de forma mortal diante da limitada eficiência de chás e ervas ou recursos dos remédios caseiros. As famílias careciam de dinheiro para custear médicos, que eram raros e residiam longe.
Algum morador ou viajante, da cidade à colônia, poderia introduzir germes de moléstias, que, com limitadas condições higiênicas e permanente convivência com criações conheceram a fácil proliferação. As epidemias e mortes causavam “pavores comunitários” quando famílias, com algum contágio dum membro, conviviam com o aparente abandono e isolamento. Alguma patologia, em horas, difundia aos quatro quadrantes, quando os temores viram-se divulgados e instalados no meio comunitário.
As localidades, entre 1862 e 1930, tornaram-se “um vale de prantos” quando o choro, lamentações, lágrimas... sucediam-se nas propriedades coloniais. A morte era um “fantasma permanente”, quando pais enterravam o mais valioso nas suas vidas – a própria carne através dos seus filhos. Os flagelos, em diversas almas amarguradas, trouxe desânimo e desesperança, que auxilia a explicar os suicídios. Os escritores de pastores, nos registros de óbitos, parca referencia fazem aos sucedidos cotidianos dos moradores, que expressam as dores do espírito...
A medicina moderna, com campanhas de saúde pública, dedetização, introdução de antibióticos e melhorias de condições higiênicas, reverteu o quadro de flagelo, mas histórias dos ancestrais permanecem vivas dos dias derradeiros da colonização. Queira Deus! Que outros “dias tenebrosos” jamais abatam-se sobre as esbeltas colônias e o vale das lágrimas fique como registro dum passado remoto.

Guido Lang
Jornal O Eco do Tirol, p. 03, edição 43
15 de outubro de 2005

Crédito da imagem: http://www.fotolog.com/quadrodaguarelas/10548422/

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Registros de Casamento


Os registros, no anterior da instalação da República (1889), consistiam no manuscrito. O religioso, no ato do casamento (costumeiramente na casa dos pais de um dos noivos), efetuava as cerimônias. O documento, na elaboração, nutria validade civil e religiosa. A República, no fim do padroado, separa os poderes do Estado da ação da Igreja Católica (instituição oficial).
Procurou-se, na função da curiosidade histórica, descrever algum documento protestante. O registro religioso, na Comunidade Zion (na época picadas Franck e Schmidt/atual Westfália/RS), fora oficializado pelo professor, pastor e regente Heinrich Beckmann. O pseudo-pastor, entre 1872 a 1911, mantinha empecilhos de toda ordem na ampliação da confessionalidade (nas disseminadas famílias das linhas).
O documento registra no conteúdo:

“Registro de Casamento de Carlos Henrique Strate com Maria Lisette Schröer. Aos sete dias do mês de junho do ano de mil oitocentos e oitenta e seis (1886), nesta freguesia, me foi apresentado para ser registrado extrato de casamento do nexo seguinte: ‘Extrato do registro dos casamentos do culto Evangélico, existente na freguesia Teutônia, no município de Santo Antônio de Estrela, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, Império do Brasil, no livro respectivo Vol.1, fls.5, n/2. No ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, de mil oitocentos e oitenta e seis (1886), aos vinte e oito dias (28) do mês de maio, feitas as denunciações sem se descobrir impedimentos, se casarão na Teutônia, conforme os ritos e cerimônias do Culto Evangélico, Carlos Henrique Strate, evangélico, colono da idade de vinte e seis anos (26), nascido em Atter, círculo Osnabrück na Hannover da Prússia e morando na Teutônia, filho legítimo de Carlos Henrique Strate, natural de Leppa Detmold e de sua mulher Maria Elisa Staalkamp, natural do Atter, círculo de Osnabrück na Hannover da Prússia, com Maria Lisette Schröer, evangélica, da idade de vinte e três anos (23), nascida em Ladbergen na Westfália da Prússia e morando na Teutônia, filha legítima de Germano Henrique Schröer (defunto), natural de Ladbergen na Westfália da Prússia e de sua mulher Maria Christina nascida Kohnhorst, natural de Ladbergen na Westfália da Prússia e morando na Teutônia. Foram testemunhas: Henrique Schröer e Ernesto Schröer’. Extraído do próprio original a quem me reporto. Freguesia Teutônia, cinco de junho (5) de 1886. Henrique Beckmann, Pastor do Culto Evangélico”.
O documento continha estampilha de duzentos réis inutilizados na forma da lei. E para constar fins este registro que assino. “Eu, João de Deus Menna Barreto, secretário da Câmara escrevi e assino. Secretaria da Vila de Santo Antônio da Estrela, sete de junho (7) de 1886. João de Deus Menna Marreto – Secretário”.


(Fonte: Guido Lang, O informativo de Teutônia, número 74, dia 28.11.1990, pág. 02).

Crédito da imagem: http://www.patrocinioonline.com.br/

terça-feira, 27 de outubro de 2015

A lacuna dos registros


As entidades, disseminadas no interior das linhas, vivem no dilema da falta dos registros anuais. Os acervos, em cadernos de atas e livros caixas, sumiram no ciclo das diretorias. A deficiência, na bibliografia, ocorre na lacuna dos registros. A ocorrência, no banal, inclui agregações esportivas, entes religiosos, sociedades de cantores... A nacionalização, na permuta do idioma (alemão ao português), tem sido apologia e evasiva. A nacionalização (1939) e Segunda Grande Guerra (1939-1945), nas medidas de coação, tem acirrado as desculpas. A charada, na essência, liga-se a honradez e nitidez. As diretorias, no fraquejo dos números (entradas e saídas), cometiam no intento do extravio e sumiço. As crônicas, no empenho de componentes das gestões, esvaneciam nas trocas das administrações. Parcas associações, na perfeição, orgulham-se das totalidades dos legados e métodos. As pessoas, nos subterfúgios, justificam-se das dúbias atuações e correções. A afeição, no dinheiro, induz nos desacordos e mutações.

Guido Lang
“Fragmentos de Sabedoria”

Crédito da imagem: http://www.agnusdeiloja.com.br/

sábado, 24 de outubro de 2015

As sociedades de cantores


Os imigrantes teutos introduziram sensatos legados. Os herdados, na contemporaneidade, integram a cultura e tradição brasileira. Cita-se, nos modelos, escolas comunitárias, festas de quermesses, entidades de bolão e tiro, prática de enfeitar o pinheirinho de Natal, ninho de Páscoa, entidades de cantores...
Os povoadores, recém-instalados nas picadas (linhas), conviveram perdidos e isolados pelo ente público. A saída, entre dificuldades, versou em descobrir meios de supervivência. Os desbravadores, na maneira particular de organização, aventaram de arquitetar entidades comunitárias (cemitério, escola e igreja). Os clubes de cantores sugiram paulatinamente em alteradas linhas. As agremiações foram maneiras de aglomerar residentes.
Os corais tiveram o objetivo de cultivar a cantoria, aliviar as agruras da conquista da selva, encorajar ânimo (diante do dilema das adversidades, doenças, intempéries...). As encenações, semanais ou quinzenais, convinham como reencontros. Os momentos eram propícios às trocas de exames das fainas e vivências. As ocorrências, no seio da circunvizinhança, eram contadas e pesquisadas.
O objetivo, no explícito dos coros, era o cultivo do canto coral. As origens, na divulgação e recreação dos povoadores, advêm da Europa Central. O objetivo, no genérico, era concorrer ao incremento do nível artístico, cultural e social das identidades, assim como fazer atendimento no serviço de assistência (em momentos fúnebres e religiosos).
Os recursos financeiros eram obtidos através dos subsídios dos membros associados, dividendos de promoções (bailados e festanças), subvenções públicas (municipais)... As despesas pagavam serviços de regência, material de canto, deslocamento de cantores (em apresentações), jantas em banquete de bailes... As apresentações ocorriam em festejos locais, festanças de sociedades coirmãs, enterros, aniversários, ofícios religiosos... A administração e coordenação verificam-se independentes (das entidades da linha). O coro, nas probabilidades, coopera nas demais associações comunitárias (na construção e manutenção de centro comunitário).
Os critérios, na filiação, costumaram ser na conduta exemplar, estar em pleno gozo das liberdades civis, carecer de apresentar débitos nas entidades, possuir idade superior aos catorze anos... O membro cantor precisa apresentar aptidão e interesse em participar no canto, assim como ser abnegado, disciplinado e pontual. O cantor (a) tem a vantagem de aprimorar seu dom musical, aprender e cantar os hinos (pátrios, populares e religiosos), assim como desenvolver aprendizagem das línguas (alemão e português), compartilhar dos eventos das diversas sociedades, expandir círculo de amigos e conhecidos, tornar-se pessoa valorizada...
Os cantores carecem de serem profissionais e desempenham um ofício na própria comunidade: encaram o canto como uma atividade de cultivo e orgulho das tradições. Os coros, no símbolo da agregação, possuem estandartes. As flâmulas acompanham a sociedade nos excepcionais encontros e episódios. A classificação incide entre coros de homens, senhoras e mistos. O canto é praticado em três a quatro vozes.
As dificuldades de sobrevivência estão relacionadas ao êxodo rural, formação de regentes, criação de novos hinos, elevada despesas e desinteresse das novas gerações em continuar na tradição. Os jovens contraíram nova mentalidade. Esta valoriza pouco os valores da cultura local. Os consumismos e passividades verificam-se repassados nos meios de comunicação de massa. O fácil consiste em escutar em vez de cultuar o canto.
A juventude é coagida a abdicar do meio rural, porque seu trabalho significa pouca valorização pelos intermediários; migram aos centros urbanos na procura de formas de sobrevivência e acabam desinteressados (em função de outras maneiras de interesses e recreação). Acrescentam-se as dificuldades de material específico de canto; predomínio dos interesses particulares (em prejuízo, na ausência do retorno monetário, do bem coletivo).
As sociedades sofrerem consequências da Segunda Grande Guerra (1939-1945). O material, em alemão, viu-se assolado no dilema da nacionalização (impressos foram confundidos como promoção política). As melodias e dialetos (em alemão) versaram em serem tolhidas.
As sociedades de cantores, no cerne das linhas, continuam a associar na vida social de inúmeras comunidades. As associações, na cultura das paragens, caminham paralelas as entidades escolares, esportivas e religiosas. A participação, nas diretorias das entidades, advém na qualidade de confiança e prestígio das habilidades intelectuais. A filiação, na instituição, significa ponto de honra à integração na identidade. O coro mantém-se ativo na preservação e valorização das raízes germânicas.  Os denodos comunitários, na atuação de membro e morador, se expressa em consideração e respeito.


(Guido Lang, Anuário Evangélico, Ano 1991, pág. 105 – 106. Texto reescrito.)


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Grafen e Beckmann - Pseudopastores na Colônia Teutônia


Teutônia, localizada a 120 km de Porto Alegre/RS, foi fundada, numa iniciativa particular, pelo comerciante atacadista Carlos Schilling. O empreendedor, em 1858, adquiriu quatro léguas quadradas de terras devolutas, quando, em 1861, constituiu a “Empresa Colonizadora Carlos Schilling, Lothar de la Rue, Jacob Rech e Guilherme Kopp e Companhia”, responsável pela colonização. A ocupação, em 1862, prosperou com a afluência de povoadores protestantes (luteranos), que vieram, sobretudo da Colônia Alemã de São Leopoldo e regiões do Hunsrück, Pomerânia e Wesfália/Prússia. Os colonos, após instalados nos lotes, buscaram conservar estradas/picadas de entrada, constituir campos-santos, edificar escolas/igrejas e formar associações de canto.
O acolhimento pastoral, em 1866, iniciou com Johann Wilhelm Kleingünther. O religioso, a partir de Porto Alegre e em duas ocasiões anuais, fazia atendimento espiritual. O professor Ernst Janfrüchte, de 1869 a 1873, substituía-o nas ausências. O mestre escola tornou-se o primeiro professor da Colônia (em Glück-auf – atual Canabarro/Teutônia/RS), quando movimentou os residentes para edificar, ao lado de Karl Arnt, a escola-igreja. Ferdinand Häuser, em 1873, sucedeu Kleingünther no serviço pastoral e Wilhelm Hasenack (1890-1911) sobreveio depois de Häuser. O afluxo constante de famílias e alta taxa de natalidade alargaram os imperativos de ministros formados, que eram “peças raras”. Os habitantes, ante as circunstâncias, apelaram aos educadores leigos Gustav Adolf von Grafen e Heinrich Beckmann. Os dois, no passar do tempo, acabaram destacados como prelados ativos.
O místico Grafen, conforme Livro de Batismos e Casamentos (1873-1907), atuou em diversas picadas. As linhas, entre outras, sobressaíram-se Boa Vista, Katharina (Catarina), Schmidt, Arroio da Seca, Berlim, Bismarck, Novo Paraíso, Estrela, Conventos (Lajeado) e Colônias de Brochier e Maratá. Este, no absoluto, realizou 148 consórcios e 2.500 batizados; os dados, em funerais, completaram no provável extraviado. A biografia registra: nasceu em 09/10/1836 em Halle/Saale, como filho de Theodor e Maria Henriette von Salden; imigrou aos Estados Unidos da América, lutou na Guerra da Secessão (1860-1865) e chegou ao posto de oficial; transferiu-se por volta de1868 ao Brasil; instalou-se inicialmente em Lomba Grande/Colônia Alemã de São Leopoldo. Casou em 11/11/1872 com Catharina Dickel. Migrou em 1870 para Colônia Teutônia; iniciou em 12/08/1873 no pastorado com o batizado do próprio filho Adolf Gustav. Faleceu em 28/09/1908 em Teutônia/Estrela/RS e foi sepultado no Cemitério da Picada Neuhaus/Teutônia Várzea e depois transferido ao cemitério da Picada Welp.
Heinrich Beckmann, conforme os livros de batismos, casamentos e óbitos das Comunidades Evangélicas Bethânia/Boa Vista e Sião/Frank, iniciou no pastorado no batismo de Heinrich Friedrich Wessel. Exercia primeiramente o ofício de agricultor, professor e regente (coro). A deficiência de pastores formados, na demasia de afazeres de Kleingünther e Häuser, levou a substituí-los. Beckmann trabalhou nos locais: Colônia Teutônia, Santos Pinto, Santa Manuela, São Pedro de Maratá, Poço das Antas e sedes de Estrela e Taquari. O profissional, entre 1884 e 1911, atingiu um total de 402 enterros, 422 casamentos e 3.074 batizados. As citações biográficas narram nascimento em 12/12/1852 em Gaste/Osnabrück/Hannover (Alemanha), filho de Kaspar Heinrich Beckmann e Dorothea Juliane Johanne Surkamp. Imigrou em 1871 no Brasil com a família; casou em 10/02/1880 com Catharina Wilhelmine Wiebusch; instalou-se como povoador na Boa Vista e tornou-se professor da Escola Comunitária da Boa Vista (atual Escola Municipal Bento Gonçalves) e regente do Coral Frohsinn (Boa Vista). Faleceu em 04/07/1911 e descansa (sem maiores menções ao serviço) no Cemitério Evangélico da Boa Vista. Beckmann, como curiosidade histórica, tornou-se avô de Ernesto Geisel (Presidente da República); a filha Lydia casou-se com Augusto Geisel (pai do mandatário).
Os pastores Grafen e Beckmann careceram de achar barreiras geográficas no Vale do Taquari; deslocaram-se, em lombo de cavalo e em meio aos atoleiros das estradas/trilhas de mato (picadas), na razão de objetivar atendimento, consolo espiritual e satisfazer bradado do Senhor. O trabalho pastoral tornou-se auxílio imprescindível aos precursores. Os pioneiros viviam isolados na selva; confrontaram-se com achaques, feras, insetos, répteis... Os ministros foram ferramentas da “Palavra do Senhor”, lançando os alicerces, a partir da Colônia Teutônia, de diversas comunidades livres (no exemplo da Boa Vista, Franck, Arroio da Seca, Novo Paraíso, Estrela, Brochier, Maratá...). As respectivas ligaram-se ao Sínodo Riograndense e, na união dos quatro sínodos, tornaram-se partes da IECLB. Grafen e Beckmann, como pacatos colonos-professores, foram avultadas lideranças, por meio do Espírito Santo, como guias e portadores divinos. Eles souberam cumprir com zelo a árdua tarefa de difundir a mensagem cristã e difundir os germes de várias entidades evangélico-luteranas.

(Guido Lang, Anuário Evangélico - Ano 1995, pág.119 a 121).

Crédito da imagem: http://www.calendariobr.com.br/